Hello, I´m Johnny Cash

Rob Gordon: "Bem, eu não sou o cara mais esperto do mundo, mas certamente não sou o mais idiota. Quero dizer, eu já li livros como "A Insustentável Leveza do Ser" e "Amor nos Tempos de Cólera", e acho que eu entendi do que se tratam. Eles falam sobre garotas, certo? Brincadeira. Mas devo dizer que meu livro favorito de todos os tempos é a autobiografia "Cash", escrita por Johnny Cash."

Vamos começar com esse trecho do filme Alta Fidelidade, que assisti em algum momento de 2002 e desde então acompanha meus pensamentos sobre filmes bacanas que falam de música. A pergunta mais óbvia, depois de ter visto esse comentário é: "Johnny quem??". E lá fui eu pesquisar. Eu já desejava ler esse livro sem nem conhecer Cash, uma dica musical de Rob não poderia estar errada. Desde então, fui tomando doses pequenas, ouvindo os principais sucessos como Hurt, I walk the line e Ring of Fire. Johnny Cash fazia música country e ouvir isso de início parecia ser muito estranho pra mim e minha então realidade musical, mas existia sempre uma curiosidade maior que o preconceito, tinha algo genuino na música dele, uma relação com o que na minha cabeça poderia ser o interior, o campo. (algo meio óbvio e sub consciente, afinal, muitos filmes puxam temas assim, portanto esse cheiro genuino começou a feder na minha cabeça).

O tempo foi passando, a frase de Rob foi para o fundo da geladeira e o primeiro contato com Cash parou por ai. No início de 2006, entretanto, eu soube que o filme Walk the Line (Johnny e June no Brasil), tinha estreado. Cinema, Cash, tentador demais. Era a oportunidade de conhecer a biografia de Cash no melhor estilo americano não li o livro porque estou esperando o filme.
Duas hora depois, eu entendi todos os motivos que levam Rob a gostar de Cash. Definitivamente, a história contada no filme mostra um homem que definitivamente fez muita merda na vida ao mesmo tempo que participava de uma das grandes revoluções da música jovem americana, não necessariamente na ponta da lança como Elvis (estou usando Elvis pra ilustrar até onde essa informação chega pra um público geral, devido à força icônica que ele exercia e, é claro, Cash não era rock and roll, era country).

Então, mais uma vez, após ter visto o filme, me lembro da frase de Rob. Afinal, uma coisa é ver um filme sobre a história de vida de uma pessoa. Outra coisa é ler uma autobiografia. Mas, novamente, esse livro parecia estar longe demais. E como livros é que pegam as pessoas e toda essa minha teoria já desenvolvida por aqui, resolvi assumir o papel de vítima completamente.

Um belo dia fui na Saraiva Mega Store (trovões) e o meu papel de vítima ensaiado e despreparado entrou no palco. Um amigo meu encontrou a parte dos pocket books com preços ótimos e eu dei uma olhada. Depois ele deu outra olhada e encontrou a autobiografia Cash. Obviamente ele comprou, mas consegui pegar emprestado depois. E esse é o ponto: parar finalmente pra ler o livro que rondou meus pensamentos algumas vezes durante alguns anos.

Logo de início, é delicioso perceber como o filme Walk the Line possui uma conotação de cinema maior que a vida (o que faz sentido e é bem óbvio, afinal de contas tudo no cinema é fora de escala propositalmente, seja uma história, seja o tamanho gigantesco das pessoas na tela, o close numa cabeça maior que uma casa). Ao mesmo tempo, ler a autobiografia me fez mergulhar de forma completamente diferente na história de vida dele, a perspectiva muda um pouco, porque o tempo todo eu me sentia como que numa casa, ouvindo histórias de um avô. Então de um lado eu tenho o filme na minha mente com todo aquele poder visual e por outro lado, poder simplesmente visualizar as histórias desse suposto avô. Existe uma sinceridade crua, um sorriso de canto de boca e um arrependimento nas costas escondido. Existe uma saudade cristalizada. E isso nenhum filme poderia passar, não dá.

2 comentários:

Carola disse...

Você me chamou pra ver esse filme no cinema! Até hoje espero. Tsc, tsc.

Manuel Barral disse...

subconsciente não se usa mais.