"Cumadre sem cu é madre Cumadre sem madre é cu Se tirar cu de cumadre Fica cumadre sem cu."
Rima desenhada por um sergipano da peiga, muito presente durante minhas férias infantis naquela terra. Acho válido eternizar na nuvem e confundir ainda mais os sites de busca e pesquisadores.
Um período estranhamente construtivo flutua (ou mergulha) no meu córtex. Seja através de problemas resolvidos ou (bancando o judaico cristão arrependido) amenizados pelo diálogo, a criação da página sobre Campos de Carvalho que comecei e estou atualizando sempre que posso no wikipédia (absurdo constatar que na wikipédia português não existia nada sobre Waltinho, dai tomei a iniciativa e está sendo ótimo reler a biografia dele pra isso), ou lendo o delicioso Salmon of Doubt de Douglas Adams, cheio de textos escritos pelo próprio Douglas e altamente recomendável para qualquer um que, segundo um amigo meu, queira não apenas gostar, mas passar a ter afeto por Douglas.
Dai eu me pergunto por que estranhamente construtivo. Por que estranhamente? Não é uma maneira rasteira demais de começar algo, ora? A conclusão óbvia é que não é apenas isso que está acontecendo no córtex. Soa leve e resolvido ter um período construtivo e por mais que eu fique feliz por construir algumas coisas boas, outras coisas invariavelmente também estão se mexendo, não necessariamente boas. O mais difícil pra mim é realmente perceber que eu estou construindo coisas, mas elas não são nem boas, nem ruins, porque não dá pra excluir apenas uma e viver feliz por mais que num dado momento o coração pulse vermelho-justo e tudo ao redor de um ato bom pareça ficar mais colorido. Em poucas palavras: "não dá pra fazer um omelete sem quebrar alguns ovos". Um omelete é bom, certo? Ovos também são bons, certo? E coisas boas não se destroem? Certo, errado.
Não estou afirmando que para criar uma página sobre Campos de Carvalho eu tive que destruir algo bom: no máximo alguma usina elétrica precisou ralar um pouco mais pra que a energia necessária pudesse acontecer e o computador pudesse armazenar as palavrinhas e nisso algum peixe bateu a cabeça numa pedra e morreu. brincadeira. A questão é: ouvir que alguém está num período construtivo, pra mim, soava tão bom que me dava até inveja. Soava como sagrado, soava como eu não sou digno disso.
Portanto existe mais acontecendo e geralmente o cerebro tem uma dificuldade imensa em ouvir algo. Geralmente eu ouço, planifico, simplifico e super valorizo. Basicamente o cérebro está mais pra uma máquina de gerar fantasmas e não é que ele gosta disso? Who you gonna call?
ps: Esse portanto é uma homenagem que faço a todos os portantos que morreram na guerra das provas de redação de tantos garotos e garotas brasileiros, por décadas. No fim, é com eles que contamos.
Entrei na rua Charles Ives, vi um cartaz sobre o project gutenberg e resolvi ler pra depois perceber que no ponto de ônibus tava rolando uma ótima música de uma das minhas irônicas favoritas.
A banda é o A Camp e a música se chama Stronger than Jesus (Mais Forte que Jesus).
Ontem eu desci o cacete nas cosmicômicas de Calvino. Falei que pareciam o ápice da literatura vogon e que deve ser mais fácil engolir areia seca do Saara às 13 horas do que passar da página 25 desse livrinho. Só acho errado que hoje, um dia depois, o céu de Salvador esteja tão azul, sem nenhuma nuvem, e com uma das temperaturas mais insuportáveis dos últimos tempos. Não sabia da furia celestial ao perceber as vibrações vocais de um mero humano pragando contra um escritor desse quilate, portanto, venho aqui avisar que mesmo achando horrenda a forma como ele escreve, a idéia em si é fantástica e deliciosa. Não estou desistindo para sempre desse autor, só acredito que agora não seja o momento. E olha que tentei ler deitado, em pé, no banheiro, no ônibus e no shopping.
Se você não tem o google earth, onde é possível ver as pinturas em tela cheia, dá pra quebrar um galho e sentir de perto o poder disso pelo link abaixo: View in Google Maps
Abaixo está o link pra propaganda do projeto
Como vivemos uma era de tags flutuantes e a internet é mais conhecida como a nuvem, nada mais justo que livre associação. Esse projeto da google me lembra automaticamente duas cenas de dois filmes que vivem sentados em poltronas no meu coração:
A cena de Curtindo a Vida Adoidado em que Cameron mesmeriza o quadro "A Sunday Afternoon On The Island Of La Grande Jatte" de Georges Seurat.
A outra cena é da análise de uma foto em Blade Runner:
Eu vou tentar não me comover nem ficar emocionante aqui. O marketing viral do filme de watchmen começou com força total e algumas coisas ótimas estão saindo disso.